sexta-feira, 30 de outubro de 2009

200 ANOS DE BRAILLE


Sociedade Bíblica participa de comemorações do bicentenário do criador do sistema de leitura braile


O ano de 2009 marca os 200 anos de nascimento de Louis Braille, criador do sistema de leitura para deficientes visuais que recebeu seu nome. Por seu trabalho social voltado a deficientes visuais, a Sociedade Bíblica do Brasil faz parte da Comissão Paulistana para o Bicentenário de Louis Braille. A entidade produz, desde 2002, a Bíblia Sagrada completa em braile, na língua portuguesa, cujos exemplares são distribuídos gratuitamente às pessoas cadastradas no Programa Inclusão do Deficiente Visual. “São mais de 2,5 mil os beneficiados pelo programa. É muito gratificante contribuir para este importante processo de inclusão, que o conhecimento do braile propicia”, afirma Erní Seibert, secretário de Comunicação e Ação Social da entidade.


Para comemorar a data, haverá, em São Paulo, concerto, ciclo de palestras e o Prêmio Literário “200 Anos de Louis Braille”, que, lançado em maio deste ano, premiará textos inéditos nas categorias contos e poesias que destaquem os méritos de Louis Braille. Estão sendo avaliados 52 textos – 29 contos e 23 poesias –, enviados por moradores de 11 estados brasileiros. Integram a comissão julgadora os jornalistas Heródoto Barbeiro, Sílvia Ferreira Ramos e Marcos Piva, o diretor presidente da ADEVA, Markiano, a museóloga Amanda Tojal, a tradutora Olga Itocazo, e o bibliotecário Lourival Pereira. Os vencedores serão divulgados durante o III Encontro de Pessoas com Deficiência Visual, no dia 19 de setembro, no Museu da Bíblia, em Barueri (SP), promovido pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB).


O Ciclo de Palestras "200 Anos de Nascimento de Louis Braille - O Sistema Braille como instrumento de conquistas" (programadas para acontecer em São Paulo, de agosto a novembro de 2009), abordará temas relacionados ao sistema de escrita e leitura em relevo e seu inventor. Com inscrição gratuita, são voltados para professores, profissionais, familiares e demais interessados.


A palestra de abertura aconteceu dia 26 de agosto, focando “A Produção do Livro em Braille”. As demais palestras são: “O Braille Nosso de Cada Dia” (12/09); “O Braille nos dias de Hoje: sua história e seu futuro” (19/09); “O Sistema de Leitura e Escrita em Braille no Processo Educacional do Público Deficiente Visual” (07/10); “O Braille no Cenário das Novas Tecnologias” (11/11), e “Políticas públicas e o Braille” (18/11).



Sobre Louis Braille


Natural de Coupvray, pequena aldeia a leste de Paris, Louis Braille nasceu em 4 de janeiro de 1809. Ficou cego em 1812, aos três anos, após se acidentar na oficina do pai. Ao tentar perfurar um pedaço de couro com uma sovela, aproximou-a do rosto, e acabou por ferir o olho esquerdo. A infecção se expandiu e atingiu o outro olho, deixando-o completamente cego. Para desenvolver um sistema de leitura e escrita para pessoas cegas, ele utilizou como base o sistema de Barbier, utilizado para a comunicação noturna entre os soldados do exército francês. Em 1837, Louis Braille apresentou a versão final do sistema que, embora tenha levado algumas décadas para ser aceito na França, antes do final do século XIX já havia se difundido pela Europa e por outras partes do mundo.


Sobre o Sistema Braille


É um sistema de leitura para cegos por meio do tato, criado pelo francês Louis Braille, que perdeu a visão aos três anos de idade. Braille apresentou a primeira versão do seu sistema de escrita e leitura com pontos em relevo para a utilização do deficiente visual em 1825. Sua escrita é baseada na combinação de seis pontos, dispostos em duas colunas de três pontos, que permite a formação de 63 caracteres diferentes que representam as letras do alfabeto, números, simbologia aritmética, fonética, musicografia e informática.

FONTE:http://www.agenciasoma.org.br/sys/popMaterias.asp?codMateria=9UmhnxWCxMgC&secao=show

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Pela luz dos olhos dele

George é cego. Além de possuir esse tipo de deficiência, ele  cresceu numa época em que inclusão ainda era uma palavra que não significava a total integração à escola e à sociedade de pessoas com necessidades educacionais especiais. Mesmo assim,  lutou contra preconceitos, conquistou espaço no mercado de trabalho e hoje é EDUCADOR COMO VOCÊ



Ao visitar uma escola, no final de 2004, o então estudante de História George Gomes de Oliveira ouviu de um aluno:
- Você não enxerga nada?
- Nada, nadinha...
- E vai dar aula pra gente no ano que vem?
- Pode ser. Por quê?
- Vixe! Já pensou se você entrar na sala e todos nós sairmos de mansinho?
- Eu não enxergo um palmo à frente do nariz.Aliás, nem o nariz eu enxergo. Mas sei dar aula direitinho!
Com esse mesmo bom humor, o professor Georges e apresentou no ano passado às 12 turmas da EE Francisco de Paula Antunes, em Brasília de Minas, a 450 quilômetros de Belo Horizonte. Ele perdeu a visão do olho direito aos 6 anos, ao cair de um cavalo. Aos 12, a retina esquerda também o deixou na mão. Desanimado, parou de estudar. O garoto voltou à escola só aos 19 anos, quando fez supletivo e aprendeu braile. Seu sonho era fazer Processamento de Dados. "Queria usar softwaresque obedecessem a comandos de voz." Aprovado na seleção, não pôde fazer o curso, pois a escola técnica não estava preparada para receber cegos. Que decepção! No Ensino Médio, conheceu um professor de História que, para driblar a gagueira, entrava na sala declamando a matéria. "Essa estratégia fantástica me fez pensar em lecionar." Um outro professor, de Física, sugeriu que ele gravasse as aulas. Um santo conselho. Hoje seu acervo tem mais de 350 fitas, incluídas as da faculdade. Passar no vestibular da Universidade Estadual de Montes Claros foi moleza. "Só percebemos que George era cego no quinto dia de aula", lembra Leandro Mendes, colega de graduação e de profissão. Professor conservador, em sua própria avaliação, George, 33 anos, decora o conteúdo por tópicos depois de ouvi-los nas fitas. Em classe, dita para uma aluna, que passa tudo no quadro - para onde ele aponta durante as explicações, como se estivesse destacando alguma informação. Só nos dias de prova Leandro vem ajudá-lo. "É para ver se ninguém está colando."

Fonte: Revista Nova Escola

Nascer é superar dificuldades.


Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Clarice Lispector




Veja as dificuldades que passamos para começar a viver.
Começamos uma viagem fantástica pelo interior do corpo humano

(...)
Ao nascer, ouvimos melhor do que em qualquer outra fase da vida. Mas enxergamos mal. O mundo está embaçado e sem cor.

Com seis semanas de vida, uma simples ida ao supermercado é uma sobrecarga de estímulos. O ambiente é barulhento, cheio de luzes e de cheiros.

No interior do nariz, os nervos olfativos recebem as correntes de ar que respiramos. Eles detectam as moléculas dos objetos que nos cercam, e enviam um sinal elétrico para o cérebro.

O cérebro interpreta esses sinais como cheiros e nos transmitem a sensação olfativa.
O olfato é muito sensível. Aprendemos depressa a reconhecer odores e a identificar nossas mães com o nariz.

O mundo em nossa volta é cheio de ruídos. Ondas sonoras fazem vibrar essa estrutura que você vê esbranquiçada: é a membrana do tímpano. As vibrações são transmitidas para dentro do ouvido, onde estão situados três ossos minúsculos: martelo, bigorna e estribo, os menores ossos do corpo humano. Cabem na ponta de um dedo, e ficam do mesmo tamanho pelo resto da vida.

Esses ossinhos amplificam as vibrações transmitidas pela membrana do tímpano. Amplificam 22 vezes o volume do som. As vibrações penetram uma estrutura em forma de caracol, situada no ouvido interno: a cóclea.

O interior da cóclea é revestido por camadas de cílios muito delicados: medem 200 vezes menos do que um fio de cabelo. Quando as vibrações sonoras passam, eles vibram. Com o passar do tempo, sons mais intensos lesarão progressivamente os cílios mas, nesta idade, eles funcionam perfeitamente.

Nosso ouvido jamais será tão perfeito como agora. Com a visão, é diferente. O mundo se apresenta embaçado e sem cores. Os olhos são tão imaturos que não conseguimos direcioná-los para o local desejado, e o cristalino não é capaz de encontrar o foco.

Os bebês não conseguem enxergar cores porque a retina, a camada situada no fundo do olho, também está imatura. Na retina existem os cones e os bastonetes, células especializadas em transformar luz em sinais elétricos.

Os cones, encarregados de detectar as cores, ainda estão em desenvolvimento. Por isso, vemos tudo em branco e preto.
Da retina, os sinais caminham pelos nervos ópticos e são enviados para o a parte de trás do cérebro, que vai processar as imagens recebidas. Enxergamos com o cérebro, não com os olhos.

Quando as imagens chegam ao cérebro, surge outro desafio: como interpretar os dados com o sistema nervoso ainda imaturo? Mas o progresso é rápido.

Aos dois meses, conseguimos distinguir cores e sombras. Aos quatro, identificar faces.
E, aos oito meses, nossa visão está completa. Os olhos sofrem outra transformação extraordinária.

Quando nascemos, eles estão azulados. Gradualmente, as células da íris, a menina dos olhos, começam a produzir pigmentos que a escurecem. O padrão de deposição desse pigmento varia tanto, que se torna uma característica individual única, como se fosse uma impressão digital.

Nos primeiros três meses, crescemos um quarto de nosso peso a cada mês. Felizmente, esse processo não dura muito. Se persistisse, aos quatro anos, pesaríamos 134 toneladas: tanto quanto uma baleia azul.

Aos oito meses, todos os sentidos funcionam adequadamente. Começamos a explorar o mundo e o sentido mais usado é o tato. Quando tocamos um objeto, receptores localizados sob a pele enviam sinais elétricos através dos nervos sensitivos, que caminham pelos braços e medula espinhal até o cérebro.

Os impulsos trafegam em velocidade vertiginosa: 320 quilômetros por hora. Nós temos receptores sensoriais espalhados pela pele inteira, mas algumas áreas são mais sensíveis do que outras: as mãos, a face e a boca. Existem 9 mil receptores apenas na língua. É por isso que os bebês usam a boca para explorar o mundo.

A digestão começa na boca. Os dentes trituram os alimentos. Pequenas glândulas sob a língua produzem saliva para começar a digeri-los.a saliva também lubrifica os alimentos para facilitar o percurso de 12 horas que serão obrigados a fazer pelos quatro metros de intestino.

Músculos que se contraem em ondas, criam o movimento peristáltico, que empurra o bolo alimentar para a frente.As contrações são tão poderosas que conseguimos comer até de cabeça para baixo.

Pela primeira vez, uma câmera permite filmar em alta definição a chegada no estômago. O estômago é um reservatório com paredes musculares que se contraem para transformar os alimentos em líquido, com a ajuda do suco gástrico, muito ácido.

O ácido é tão corrosivo que as paredes internas do estômago precisam ser constantemente protegidas por uma camada de muco. Sem ele, surgem as úlceras. Cerca de uma hora mais tarde, o estômago espreme a comida por uma passagem estreita, o piloro, que o separa do duodeno.
O duodeno é a primeira porção dos 3,5 metros de alças que constituem o intestino fino, onde serão absorvidos os principais nutrientes. O primeiro passo é dado pelo pâncreas, ao produzir um suco que neutraliza o ácido do estômago.

A bile, do fígado, transforma as gorduras em gotas pequenas. O interior das paredes intestinais possui milhões de projeções microscópicas, chamadas vilos, que aumentam a superfície do intestino, facilitando a absorção.

Depois de mais uma hora e meia, o intestino já absorveu a maior parte dos nutrientes.
O que sobra chega ao intestino grosso através da válvula íleo-cecal. Essa válvula impede que os alimentos voltem, no sentido inverso.

A principal função do intestino grosso é absorver água. O que sobra é uma mistura de restos alimentares, células mortas e bilhões de bactérias. As bactérias do intestino grosso não causam infecção. Elas são importantes porque produzem as enzimas que quebram os carboidratos complexos, que o intestino não conseguiu digerir.

Finalmente, depois de 12 horas, o corpo elimina o que sobrou da refeição. Aos nascer, nossos ossos são flexíveis como as cartilagens, para facilitar a passagem pelo canal de parto. Depois do nascimento, células chamadas osteoblastos, entram em ação para tornar os ossos mais resistentes.

Com um ano, estamos prontos para andar. Para os primeiros passos, não basta força, é preciso equilíbrio. E o segredo do equilíbrio está guardado dentro de nossos ouvidos.

Na parte mais interna dos ouvidos, existe uma estrutura com três alças dispostas em três planos. Esses canais semi-circulares são cheios de líquidos. Quando o líquido balança com o movimento, os cílios da parte interna dos canais enviam dados para o cérebro identificar a posição espacial em que o corpo se encontra.

Podemos andar. Agora não há mais limites para o que conseguimos fazer.


Fonte:

 







domingo, 4 de outubro de 2009

Braille Virtual


Braillevirtual é um software específico para ensinar a leitura braile para pessoas que enxergam.

 

 

O programa apresenta

  • A história de Louis Braille, criador desse Sistema;
  • A composição do alfabeto em braile;
  • A célula braile, as combinações dos 6 pontos que resultam em 63 (combinações) e representam as letras do alfabeto, os sinais de pontuação, os números, a notação musical e científica;
  • De maneira interativa, lúdica utiliza das cores, números e movimentos para ilustrar e facilitar a memorização das combinações dos pontos que formam o alfabeto, os sinais de pontuação e os números;
  • Exercícios de correspondência, transcrição do sistema braile e outros;
  • Jogos como o da forca.
Com a aprendizagem das letras em braile o aprendiz poderá facilmente transferi-la para a escrita.
É um produto inovador que proporciona a aprendizagem da leiturapelo sistema braile por pessoas que enxergam, de maneira simples e rápida, como um dos facilitadores da inclusão social das pessoas com cegueira que utilizam tal sistema. Além disso, este programa contribui para a divulgação, conhecimento e reconhecimento do sistema braile como sistema de leitura e escrita.
Com a aprendizagem deste sistema por parte dos familiares, colegas e professores da classe regular, serão minimizadas as dificuldades que os alunos cegos encontram em sua trajetória escolar.
Esse programa é fruto de pesquisas desenvolvidas por educadores que atuam na área da deficiência visual e preocupados com a educação inclusiva.

Objetivos

  • Ensinar a leitura do sistema braile a pessoas que enxergam através do programa braillevirtual;
  • Tornar o sistema braile acessível ao maior número de pessoas;
  • Permitir que pais de crianças cegas conheçam e dominem o sistema braile, ajudando e acompanhando seus filhos em tarefas escolares, o que irá elevar a sua auto estima;
  • Proporcionar ao professor da classe regular o domínio do sistema braile e o reconheça como sistema de leitura e escrita;
  • Favorecer o conhecimento do braile pelos colegas de classe do aluno com cegueira, dos familiares e da comunidade
  • Facilitar a interação entre o professor da sala comum e o aluno com cegueira;
  • Universalizar o braile;
  • Desmistificar o braile.

Público alvo

Pessoas que convivem com deficientes visuais e todas aquelas que queiram aprender a leitura do sistema braile.

Abrangência

Disponibilizando no site haverá possibilidade de atingir pessoas de todo o mundo e principalmente o Brasil. Através do Site os visitantes poderão fazer o download. Através deste site poderá ser atingida todas as escolas onde haja laboratório de informática e disponibilidade para a internet. É incalculável o número de pessoas que se beneficiarão com o referido programa.

Resumo histórico

Enquanto pesquisadores, pudemos observar que os professores e pais de alunos com cegueira apresentavam uma rejeição quanto ao sistema braile, não reconhecendo-o como um sistema de leitura e escrita (pesquisa realizada em 2002). Este fato dificultava os alunos que dependiam desse sistema durante seu processo de aprendizagem, sentiam-se desestimulados e muitas vezes envergonhados por escreverem de forma diferente. O braille, com essa pesquisa, mais uma vez mostrou-se sendo um conhecimento de um grupo restrito. Preocupados com a inclusão dessas crianças, que freqüentam a escola comum, procuramos criar uma ferramenta de fácil acesso para que os colegas, os pais e professores, dominassem o sistema braile. Assim criamos o Braillevirtual, programa interativo, lúdico e de fácil compreensão.
Logo após a criação, desenvolvemos pesquisa com intuito de validar tal ferramenta com um grupo de 20 pais, 20 professores e 30 crianças que estudavam na classe com crianças cegas integradas. Tal pesquisa demonstrou que todos os envolvidos conseguiram aprender a ler o braile em poucas horas de uso, numa variação de 2 a 6 horas.

Justificativa

A motivação para a leitura tem um papel fundamental. Geralmente as
crianças que enxergam têm grande interesse em aprender a ler, o que está ligado ao seu acesso ao mundo letrado, desde muito cedo. Já nos primeiros anos de vida a criança vê ao seu redor muitos cartazes estimulantes onde lêem palavras ou descobrem o significado (Coca-Cola); em sua casa está rodeada de livros de literatura infantil ilustrados, a TV onde aparecem e desaparecem legendas constantemente.
Assim, as crianças videntes vão tomando consciência do propósito da leitura, despertando nelas uma motivação clara para aprender a ler.
Esse processo natural nas crianças videntes não acontece com as crianças cegas que entram em contato com o mundo letrado na época em que ingressam na escola, quando conhecem o braile e, através desse, a leitura tátil.
A demora da criança cega em conhecer o mundo letrado se deve ao fato do sistema braile diferir inteiramente da escrita comum, enquanto código e quanto à sua apresentação, sendo dominado por um grupo muito restrito, levando pais, professores, assim como a comunidade infantil da criança não apenas a uma desvalorização, como também a um não reconhecimento como sistema de leitura escrita, ignorando, muitas vezes, a própria aprendizagem da criança.
Os pais, professores, colegas de classe e o próprio estudante devem ser levados a perceber e reconhecer que, embora o sistema braile seja totalmente diferente da escrita comum, quanto ao código e à apresentação, ele substitui satisfatoriamente a leitura escrita em negro. Além disso, os pais, conhecendo o sistema braile, poderão acompanhar a escolaridade de seus filhos com cegueira, da mesma forma que fazem com os demais que não apresentam a deficiência.
Pode usar o programa de duas formas: Fazendo o download, ou usando-o on-line no link http://www.braillevirtual.fe.usp.br/

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Cegos Que Enxergam O Caminho


 



"ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá" – Salmo 139:10
Um programa de televisão, pouco antes das Olimpíadas de Inverno em 1988, apresentou um treinamento de esquiadores cegos para a prova de descida da montanha na neve. Formando pares com esquiadores videntes, eles recebiam instruções em terreno plano, sobre como vencer obstáculos. Quando eles aprendiam perfeitamente a mover-se em ziguezague, eles eram levados para o alto da montanha e começavam a descer em seus esquis, com os esquiadores videntes ao lado, gritando: "Esquerda... direita!" Enquanto obedeciam aos comandos, podiam fazer todo o percurso e cruzar a linha de chegada, dependendo apenas da palavra dos esquiadores videntes. Era confiança plena ou catástrofe. Que retrato vívido da vida Cristã! Neste mundo, nós vivemos , na verdade, como cegos que não têm certeza da direção que devem seguir. Precisamos aprender o caminho que nos levará ao destino desejado. Podemos confiar apenas nos ensinos daquele que enxerga corretamente o caminho, pois, Ele é o próprio Caminho.
Deus a tudo vê e conhece o curso que devemos seguir. Ele não apenas caminha ao nosso lado como nos dirige os passos para que não nos desviemos da rota. Seja em terreno plano, ou em terrenos acidentados, ou em subidas e descidas, no calor ou no frio, na água ou na neve, Ele nunca sai de nosso lado e, com Ele, a possibilidade de uma catástrofe é nula. Muitas vezes, enquanto aprendemos a seguir o caminho do Senhor, sofremos pequenas quedas, algumas desilusões, instantes de frustração, mas, em todos esses momentos, sabemos que nos levantaremos, que retornaremos ao nosso percurso e ultrapassaremos à linha de chegada de nossas bênçãos.
Quando entregamos a vida ao Senhor, podemos participar de qualquer prova neste mundo, por mais difícil que seja. A Sua mão nos guiará sempre, Sua proteção será total e, ao final, receberemos o troféu de "mais do que vencedor."
de Paulo Roberto Barbosa

domingo, 20 de setembro de 2009

Outros olhos ( Parte 2)

...Às vezes eles são obedientes. Outras são muito teimosos. Quase sempre são criativos. De vez em quando são tão sensíveis. São imprevisíveis, os olhos de dentro. 
Em caso de necessidade, são capazes de reproduzir fielmente as imagens que os de fora já viram, o que é chamado vulgarmente de lembrança, fênomeno fácil de ser comprendido.
É feito foto, filme, computador. Deve estar tudo registrado em alguma parte  da memória.
O mais difícil de entender é como eles conseguem inventar coisas que os olhos nunca viram:

Acontecimentos que não aconteceram.
Momentos que jamais passaram.
Situações completamente estapafúrdias.
Condições imaginárias.
Suposições.
Tragédias.
Finais felizes.
Sinais.
Hipóteses.
Subterfúgios.
Absurdos.
Desejos.
...
(Ainda parte 3,4,5)

(trecho de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)

Uma mulher que resolveu voar...

"Apesar de o mundo estar cheio de sofrimento, ele também está cheio de superação. Meu otimismo, por isso, não repousa sobre a ausência do mal, mas na grata crença da preponderância do bem e no esforço contínuo de cooperação com o bem, para que ele prevaleça."
Helen Keller (27/06/1880 - 01/06/1968)



As limitações físicas não conseguiram destruir os ideais de Helen Keller e Anne Sulivan.  Juntas venceram não só as mazelas do corpo como conseguiram transformar o tratamento de pessoas portadoras de surdez ou cegueira. Nascida no Alabama, EUA, foi dos maiores exemplos de que as deficiências sensoriais não são obstáculos para se obter sucesso. Helen Keller foi uma extraordinária mulher, triplamente deficiente, que ficou cega e surda, devido a uma doença diagnosticada na época como febre cerebral. Superou todos os obstáculos, tornando-se uma das mais notáveis personalidades do nosso século. Parafraseando-a: uma mulher que percebeu que não deverai engatinhar quando seu impulso era voar. Ela sentia as ondulações dos pássaros através dos cascos e galhos das árvores de algum parque onde ela passeava. Sua história e de sua ajudadora é narrada no filme O Milagre de Anne Sullivan, em 1962.

Sobre a cegueira



"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara."
Livro dos conselhos de El-Rei Dom Duarte.



Ensaio é uma metáfora sobre o mundo em que vivemos, onde temos olhos, mas somos todos cegos. O texto de Saramago é livro, filme e peça teatral. A história começa com um homem que estava parado no semáforo e, de repente, ele fica cego. A cegueira, no entando, além de repentina, ainda não é igual qualquer outra cegueira. Ela é branca. O que ninguém espera é que tal fato vire uma epidemia. E é exatamente o que acontece. Em pouco tempo, a ‘doença’ se espalha e foge do controle. O governo decide, então, colocar os primeiros infectados em quarentena, para evitar o contágio. Toda a história rola dentro deste lugar, que é um manicômio abandonado. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos, pela obscuridade, a meros seres lutando por seus instintos. Somente uma mulher não é acometida pelo mal da epidemia. Resta apenas a sua visão em meio à completa cegueira, moral e física, que assola os homens, tornando-se ela a única testemunha da degradação a que foi capaz de alcançar essa sociedade absolutamente cega.
 




domingo, 13 de setembro de 2009

Outros olhos

No fundo de cada cabeça devem existir outros olhos, uns olhos que enxergam para dentro, e provavelmente são eles que vêem as imaginações, as reminiscências, os sonhos, as idéias, as doidices que a gente pensa.
Enquanto os olhos que olham para fora se limitam a contemplar o que está na frente deles, esses tais olhos de dentro ora vêem o que querem, ora o que a gente quer ver.
(trecho de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)