domingo, 20 de setembro de 2009

Outros olhos ( Parte 2)

...Às vezes eles são obedientes. Outras são muito teimosos. Quase sempre são criativos. De vez em quando são tão sensíveis. São imprevisíveis, os olhos de dentro. 
Em caso de necessidade, são capazes de reproduzir fielmente as imagens que os de fora já viram, o que é chamado vulgarmente de lembrança, fênomeno fácil de ser comprendido.
É feito foto, filme, computador. Deve estar tudo registrado em alguma parte  da memória.
O mais difícil de entender é como eles conseguem inventar coisas que os olhos nunca viram:

Acontecimentos que não aconteceram.
Momentos que jamais passaram.
Situações completamente estapafúrdias.
Condições imaginárias.
Suposições.
Tragédias.
Finais felizes.
Sinais.
Hipóteses.
Subterfúgios.
Absurdos.
Desejos.
...
(Ainda parte 3,4,5)

(trecho de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)

Uma mulher que resolveu voar...

"Apesar de o mundo estar cheio de sofrimento, ele também está cheio de superação. Meu otimismo, por isso, não repousa sobre a ausência do mal, mas na grata crença da preponderância do bem e no esforço contínuo de cooperação com o bem, para que ele prevaleça."
Helen Keller (27/06/1880 - 01/06/1968)



As limitações físicas não conseguiram destruir os ideais de Helen Keller e Anne Sulivan.  Juntas venceram não só as mazelas do corpo como conseguiram transformar o tratamento de pessoas portadoras de surdez ou cegueira. Nascida no Alabama, EUA, foi dos maiores exemplos de que as deficiências sensoriais não são obstáculos para se obter sucesso. Helen Keller foi uma extraordinária mulher, triplamente deficiente, que ficou cega e surda, devido a uma doença diagnosticada na época como febre cerebral. Superou todos os obstáculos, tornando-se uma das mais notáveis personalidades do nosso século. Parafraseando-a: uma mulher que percebeu que não deverai engatinhar quando seu impulso era voar. Ela sentia as ondulações dos pássaros através dos cascos e galhos das árvores de algum parque onde ela passeava. Sua história e de sua ajudadora é narrada no filme O Milagre de Anne Sullivan, em 1962.

Sobre a cegueira



"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara."
Livro dos conselhos de El-Rei Dom Duarte.



Ensaio é uma metáfora sobre o mundo em que vivemos, onde temos olhos, mas somos todos cegos. O texto de Saramago é livro, filme e peça teatral. A história começa com um homem que estava parado no semáforo e, de repente, ele fica cego. A cegueira, no entando, além de repentina, ainda não é igual qualquer outra cegueira. Ela é branca. O que ninguém espera é que tal fato vire uma epidemia. E é exatamente o que acontece. Em pouco tempo, a ‘doença’ se espalha e foge do controle. O governo decide, então, colocar os primeiros infectados em quarentena, para evitar o contágio. Toda a história rola dentro deste lugar, que é um manicômio abandonado. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos, pela obscuridade, a meros seres lutando por seus instintos. Somente uma mulher não é acometida pelo mal da epidemia. Resta apenas a sua visão em meio à completa cegueira, moral e física, que assola os homens, tornando-se ela a única testemunha da degradação a que foi capaz de alcançar essa sociedade absolutamente cega.
 




domingo, 13 de setembro de 2009

Outros olhos

No fundo de cada cabeça devem existir outros olhos, uns olhos que enxergam para dentro, e provavelmente são eles que vêem as imaginações, as reminiscências, os sonhos, as idéias, as doidices que a gente pensa.
Enquanto os olhos que olham para fora se limitam a contemplar o que está na frente deles, esses tais olhos de dentro ora vêem o que querem, ora o que a gente quer ver.
(trecho de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)