domingo, 9 de maio de 2010

Fotógrafa lança livro pornográfico voltado para deficientes visuais

 

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Com o argumento de que "os cegos foram marginalizados em uma sociedade saturada de imagens sexuais", a fotógrafa canadense Lisa Murphy criou o livro "Tactile Mind", uma publicação pornográfica com imagens de nu em alto relevo e descrições em braile.
Segundo a edição de hoje do jornal britânico "The Daily Telegraph", o livro sai por 150 libras (US$ 230) e inclui 17 imagens em alto relevo feitas à mão. Algumas delas são a de uma mulher nua com "peitos perfeitos" e de um homem descrito como "robô do amor".
As imagens em alto relevo vêm acompanhadas de legendas em braile que descrevem o corpo dos modelos.
A fotógrafa, que tem um certificado em imagens táteis concedido pelo Instituto Nacional para Cegos do Canadá, começou neste ramo criando imagens de animais para livros infantis voltados para crianças com algum tipo de deficiência visual.
Murphy explicou que, com este livro, não fez mais do que preencher um "nicho de mercado". Segundo ela, "não existem livros com imagens de nu para adultos com problemas de visão".
"É um produto inovador. A 'Playboy' teve uma edição com texto em braile entre 1970 e 1985, mas não incluía imagens", afirmou a fotógrafa.

 

12/04/2010 - 16h42 | do UOL Notícias

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sou a criatura do que vejo

 

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Lembra-se daquele cego que Jesus curou primeiro parcialmente, depois totalmente? Primeiro ele viu pessoas como árvores. Alicja Iwanska, citada num livro de Paul Hiebert, diz que temos a tendência de ver pessoas que não são parte do nosso contexto social imediato como parte da paisagem, ou um pedaço de mobília.1 Creio que ver as pessoas assim é ver como o cego: “Vejo pessoas; elas parecem árvores andando” (Mc 8.24, NVI). Jesus precisou curá-lo duas vezes para que ele ficasse livre desse problema.
Um dia, durante o culto semanal de nosso grupo missionário, recebi esta cura. No louvor, uma alemã hipponga, de trinta e poucos anos, tocava violino. Ela e o marido têm quatro filhos e fazem um trabalho difícil numa tribo. Passar noites atolada no barro da estrada que dá acesso à tribo é comum no seu dia-a-dia de mãe missionária. É uma heroína, dessas saídas dos livros dos heróis da fé. Ao lado dela, uma maranhense cheia de unção e coragem, que também trabalha com o marido e dois filhos, implantando uma igreja viva numa tribo, à custa de muito jejum e oração. Mais ao lado, tocando violão, ainda um tanto tímida, uma mocinha católica, toda tatuada, recém-chegada para o curso básico. Pela primeira vez, depois de três semanas aqui, ela consegue cantar. Está livre, adorando como se nunca o tivesse feito antes.
No meio do povo, uns adoram, outros correm atrás de bebês, outros fazem uma roda para adorar com alguns pequenos. Começo a perceber cada um. Sei a história da maioria. No dia-a-dia, a gente nem vê o valor de todos eles. Vejo o argentino que trabalhou como caminhoneiro por 7 anos só para se preparar a fim de voltar para o meio do povo indígena para o qual Deus o chamou. Vejo uma chilena num canto, filha de uma ex-militante da esquerda chilena; sua mãe sofreu horrores durante a ditadura antes de morrer. Tão cheia de garra quanto a mãe, luta sozinha para preservar uma tribo que vai desaparecendo. Os velhos da tribo têm um profundo respeito por ela, que, por sua vez, trata a todos por “senhor”. Um velho chefe morria de câncer e não permitia que ninguém o medicasse ou o levasse ao médico. A única pessoa em quem confiou foi ela, e apenas dela recebia a medicação contra dor até seus últimos dias de vida. Todos os “brancos” que ele havia conhecido até então eram canalhas. Mas Zita, a chilena, era Jesus de verdade para ele. Vejo também a carioca Sônia, ex-mãe pequena de santo, que anda pra lá e pra cá na sua bicicletinha, servindo em vários ministérios, louvando, se sacudindo também pra lá e pra cá.
Viro pra trás e lá está o Emanuel, sueco alto e magro, sempre atolado de trabalho até o pescoço, servindo nas necessidades mais diversas, desde design gráfico até construção, administração e saúde. Ele é casado com a Rute, uma moça do sertão nordestino. O nome deles é serviço. Valorizam cada tarefa aparentemente banal como se fosse a coisa mais importante do mundo. Colossenses 3.17 — “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai” — é uma realidade na vida deles.
Na frente estão os novatos, na sua maioria moças, dos mais diferentes passados e lugares. Junto com uma jovem que trancou o curso de medicina para se dedicar a Deus por um tempo, está sentado um jovenzinho que ganhava a vida catando lixo no monturo. Nos olhares, vejo um brilho de expectativa pelo novo. Eles sabem que Deus não é medíocre nem comum. Estão começando a sentir que a vida deles faz diferença e que o Criador do universo tem um futuro especial para eles.
É, naquele dia vi as pessoas como mais do que apenas árvores. Vi sonhos sonhados por Deus realizados na vida de cada um daqueles “meros missionários”. Senti-me forte, eu também, amada por Ele e me lembrei do poema de Octavio Paz:
Me vejo no que vejo
Como olhar em meus olhos
Com um olho mais límpido
Me olha no que olho,
É minha criação
Isto o que vejo
Perceber é conceber
Águas do pensamento
Sou a criatura do que vejo...2
Eu sou o que vejo. Sou a visão que tenho, os sonhos que sonho. Sou o bem que vejo nas pessoas e a esperança que tenho mesmo contra a esperança. Minha missão não é medíocre nem comum, nem é a de ninguém que reflete a imagem dele. Sou a criação do que vejo. Que assim seja.
Notas
1. In: HIEBERT, Paul. Cultural Anthropology. Michigan, EUA: Baker Book House, 1983, Preface to second edition, p. xxi.
2. Octavio Paz. Tradução: Haroldo de Campos.


Bráulia Inês Ribeiro é missionária em Porto Velho, RO, onde leciona lingüística e missiologia na Escola de Treinamento Transcultural da JOCUM — Jovens Com Uma Missão.
braulia_ribeiro@yahoo.com.br

sexta-feira, 26 de março de 2010

Outros olhos ( Parte 5)

 

Deixo o agora para trás.

Olho só para depois.

Encontro um farol.

Sofro uma alucinação?

Tanto faz.

Faço uma poesia, então, e imagino um país.

Vejo a gente feliz num dia de sol.

Tem hora que o melhor que se pode fazer é ver as coisas com outros olhos.

(trecho final de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)

Outros Olhos ( Parte 4)

Quem manda nos olhos de dentro?
Será um Deus?
Um louco?
Um desenhista?
Um escritor?
Um diretor de cinema?
Será o desejo da gente?
olho
Há quem diga que é o inconsciente.
Há quem pense que é o por acaso.
Eu não sei o que pensar.
Mando meus olhos de dentro pensarem sozinhos e lá se vão eles inventando caminhos…

(trecho de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)

Outros olhos ( Parte 3)

 

…Aquilo que não existe, ou não é visível, ou ainda não foi descoberto, o que já foi embora, tudo o que está no brejo, o que está sempre no escuro, soterrado, escondido, após, por trás, o microscópico, a conjectura, o que foi arrancado, o que não foi aberto.

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Brincar com os olhos de dentro pode ser engraçado.

É só imaginar o que quiser, por mais maluco que seja, e podem acontecer laranjas azuis – sóis sem luz – duas luas no céu – uma tartaruga veloz – uma fuga, um refúgio, um lugar – outro valor para "Pi" – paz aqui no planeta – cometas, estrelas cadentes, beijos noturnos, mil e uma viagens – paisagens à vontade do freguês – um Saturno sem anéis, uma ilha encantada, uma cidade tranqüila, uma casinha na floresta – festas de chuva no sertão – um patrão mão-aberta (ou qualquer outra pessoa inventada)…

(trecho de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DICAS PARA QUANDO VOCÊ ENCONTRAR UMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA VISUAL

CEGO1Muitas pessoas não deficientes ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos nós podemos nos sentir desconfortáveis diante do "diferente".

Esse desconforto diminui e pode até mesmo desaparecer quando existem muitas oportunidades de convivência entre pessoas deficientes e não-deficientes.

Provavelmente, por causa da deficiência, essa pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas atividades e, por outro lado, poderá ter extrema habilidade para fazer outras coisas. Exatamente como todo mundo.

A maioria das pessoas com deficiência não se importa de responder perguntas, principalmente aquelas feitas por crianças, a respeito da sua deficiência e como ela realiza algumas tarefas. Mas, se você não tem muita intimidade com a pessoa, evite fazer perguntas muito íntimas.

Se você não se sentir confortável ou seguro para fazer alguma coisa solicitada por uma pessoa deficiente, sinta-se livre para recusar. Neste caso, seria conveniente procurar outra pessoa que possa ajudar.

Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falham.

 PESSOAS CEGAS OU COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Se você conhece uma família que possui um bebê com problemas visuais, oriente para que o levem a uma instituição especializada; quanto mais cedo o bebê for estimulado, mais rápido conseguirá superar suas dificuldades.

As pessoas cegas ou com visão subnormal são como você, só que não enxergam. Elas também são interessadas em saber o que você gosta de ver, ler, ouvir e falar. Trate-as com o mesmo respeito e consideração que você trata todas as pessoas.

A cegueira é uma deficiência sensorial, não é doença. Não acredite na "compensação da natureza", ou seja, que a natureza compensou a pessoa cega pela falta de visão. O que existe nela é um maior desenvolvimento de recursos latentes em todos nós.

No convívio social ou profissional, não exclua as pessoas com deficiência visual das atividades normais. Deixe que elas decidam como podem ou querem participar. Não sinta pena dela, ela somente necessita de oportunidades.

Quando for falar com uma pessoa cega, dirija-se diretamente a ela e não através de seu acompanhante. Identifique-se e toque o seu braço ou seu ombro para que ela saiba que é com ela que está falando. Fale em tom de voz normal.

Fique à vontade para usar palavras como "veja" e "olhe". As pessoas cegas as usam com naturalidade.

Não deixe de apresentá-la às pessoas que estejam participando de seu grupo. Assim agindo você facilitará a sua integração.

Não deixe de falar sempre que entrar em um ambiente onde haja uma pessoa cega, Isso anuncia sua presença e a auxilia a identificá-lo. Evite que ela tenha que adivinhar com quem está falando.

Quando estiver conversando com uma pessoa cega, não deixe de avisá-la quando tiver que se ausentar, Principalmente se houver muito barulho que a impeça de perceber sua ausência. Ela pode dirigir-lhe a palavra e acabar falando sozinha.

Onde existir uma pessoa cega procure manter as portas bem abertas ou bem fechadas. A porta meio aberta é um obstáculo de perigo para ela. Procure também não deixar objetos jogados pelo chão onde ela costuma passar, ou em locais onde a pessoa cega não possa perceber sua presença com o uso da bengala (carros na calçada, grades abertas).

Todas as vezes que encontrar uma pessoa cega nunca deixe de apertar a sua mão e fazer o mesmo no momento de despedir-se. O aperto de mão substituir  seu sorriso amável.

Se houver alguma incorreção no vestu rio de uma pessoa cega, não se constranja em avisá-la. Fique certo de que ela lhe agradecerá.

Quando for passear com uma pessoa cega de carro, no momento de fechar a porta nunca se esqueça de observar de que não vai lhe prender os dedos: eles são muito preciosos.

Nem sempre as pessoas cegas ou com deficiência visual precisam de ajuda, mas se encontrar alguma que pareça estar em dificuldades, identifique-se, faça-a perceber que você está falando com ela e ofereça seu auxílio. Nunca ajude sem perguntar antes como deve fazê-lo.

Se você encontrá-la em qualquer loja comercial, dirija-se a ela e oriente-a sobre os produtos, marcas e preços.

Caso sua ajuda como guia seja aceita, coloque a mão da pessoa no seu cotovelo dobrado. Ela irá acompanhar o movimento do seu corpo enquanto você vai andando.

É sempre bom você avisar, antecipadamente, a existência de degraus, pisos escorregadios, buracos e obstáculos em geral durante o trajeto.

Num corredor estreito, por onde só é possível passar uma pessoa, coloque o seu braço para trás, de modo que a pessoa cega possa continuar seguindo você.

Em ambientes desconhecidos ou em situações novas, ofereça-lhe o maior número de informações possíveis, só assim ela poderá localizar-se e saber exatamente o que está acontecendo ao seu redor.

Quando você se oferecer para ajudar uma pessoa cega a atravessar uma rua não a desoriente cruzando a rua em diagonal, efetue um cruzamento em L, é mais seguro, inclusive para você.

Quando for ajudá-la a subir escadas, ofereça-lhe seu braço ou ponha-lhe a mão no corrimão.

Ao explicar direções para uma pessoa cega, seja o mais claro e específico possível, de preferência, indique as distâncias em metros ("uns vinte metros a sua frente").

-Onde é o ponto de circular? -É do lado de lá. Esta atitude de nada adianta para ela. Responda verbalmente. -Siga a sua direita. Preste atenção ao indicar "à direita", "à esquerda"; no momento de ajudar uma pessoa cega, tome como referência a posição dela e não a sua.

Não a empurre ou a levante para ajudá-la a subir no ônibus ou carro. Basta pôr-lhe a mão na alça externa da maçaneta que ela subirá sozinha.

Para ajudar uma pessoa cega a sentar-se, você deve guiá-la até a cadeira e colocar a mão dela sobre o encosto da cadeira, informando se esta tem braço ou não. Deixe que a pessoa sente-se sozinha.

Por mais tentador que seja acariciar um cão-guia, lembre-se de que esses cães têm a responsabilidade de guiar um dono que não enxerga. O cão nunca deve ser distraído do seu dever de guia.

por Fabiano Boghossian Esperança

http://intervox.nce.ufrj.br/~fabiano/cdicas.htm

Como um cego vê

CEG De acordo com censo brasileiro de 2000, 16,5 milhões de pessoas sofrem de deficiência visual e 159 mil são incapazes de enxergar. Cabe a todos, aceitar e aprender a conviver com estas diferenças, diminuindo assim o preconceito.

os olhos de um cego são os dedos das mãos;

Os olhos de um cego são os ouvidos;

O olho de um cego é a bengala;

Os olhos de um cego são os olhos de um ser humano ou de um cão guia;

Quando perdemos um sentido, passamos a usar mais os outros e por ser necessário, aguçamos os que nos restaram.

O tato é desenvolvido e um cego reconhece formatos, objeto e tudo mais que possa ser tateado. Através do Braille (sistema de leitura e escrita para deficientes visuais), o cego pode ler qualquer informação ou conteúdo.

Livros, revistas, e outros materiais publicados em Braille ou gravados em fitas cassete ou cd, possibilitam a inclusão dos cegos no mundo da cultura.

Os softwares de vozes, os quais podem serem instalados em qualquer computador equipado com multimídia, propicia aos cegos o acesso ao mundo da informatica. Os softwares lê com uma voz audível tudo que vai aparecendo na tela, menos as imagens sem descrição e alguns tipos de tabelas, mas se o site obedecer as normas de acessibilidade na WEB, não só os deficientes visuais como todos os outros deficientes terão total autonomia para navegarem.

Através da audição um cego atravessa uma rua, reconhece as pessoas, trabalha com sons e etc.

A bengala possibilita um cego ser independente, é através dela que o cego vai se locomover para a escola, para o serviço, para a casa do amigo (a) e etc.

Quando a cidade tem acessibilidade urbanística e o povo tem consciência , ou seja, não tenha buracos, bicicleta, 
carro, placas publicitárias, orelhões sem alinhamento adequado e outros nas calçadas, os cegos e os demais cidadãos se locomovem independentemente.

O guia humano é útil em certas ocasiões, como por exemplo em uma corrida, num lugar que não tenha nenhum tipo de acessibilidade, dentro de ambientes desconhecidos e outros. Já o cão guia, assim como a bengala facilita a independência de um deficiente visual, mas no Brasil ainda a poucos devido seu preço e a falta de informação. Em outros países mais desenvolvidos o cão guia faz parte da vida de muitos deficientes visuais.

"havendo acessibilidade, humanidade, eu digo que um cego vê tudo mas, o mundo não é só o que se vê!!!"

por Gilmar de Freitas Mariano - Julho de 2004

http://intervox.nce.ufrj.br/~gilmar/cegove.html

O coxo e o cego

 

MAOS

Certa vez, dois meninos que estavam na mesma floresta foram surpreendidos pelo fogo. Um dos meninos era coxo e o outro era cego. Queriam fugir do fogo mas como o menino coxo não podia andar e o cego não podia ver estavam impedidos de atravessar a floresta. Nesta tentativa encontraram-se e o ceguinho se propôs a carregar o perneta em seus ombros, enquanto este indicaria o caminho. Assim ambos conseguiram salvar-se para longe da floresta.

(DESCONHECIDO)

Fanny Crosby

Cega desde criança, Fanny Crosby tornou-se a maior compositora de hinos sacros de toda a História.

AAAA A vida da poetisa e compositora Fanny Jane Crosby (1820-1915) é tăo impressionante quanto à qualidade e quantidade de seus hinos. Ao todo săo quase nove mil hinos que incentivam a mudança de vida de pecadores, encorajam cristăos e inspiram toda a humanidade até os dias de hoje. É difícil ficar passível diante da força das palavras do hino 15 do tradicional Cantor Cristăo, cujo título é Exultaçăo: A Deus demos glória, com grande fervor, Seu Filho bendito por nós todos deu / A graça concede ao mais vil pecador, abrindo-lhe a porta de entrada no céus / Exultai, exultai, vinde todos louvar a Jesus, Salvador, a Jesus redentor / a Deus demos gloria, porquanto do céu, seu filho bendito, por nós todos deu! A beleza e o poder contidos nesses versos surpreendem ainda mais por terem sido escritos por uma mulher que ficou cega com apenas seis semanas de vida. Sua vida foi a prova de que dificuldade alguma pode conter a unçăo de Deus, nem mesmo tirar o prazer de um dos servos. Em outro de seus mais famosos e belos cânticos, intitulado Segurança, ela escreveu: Vivo feliz, pois sou de Jesus, e já desfruto o gozo da luz [...] Canta minha alma, canta ao Senhor, rende-lhe sempre ardente louvor.
Outra curiosidade na vida da maior autora de hinos da história da musica sacra é o fato de ela ter escrito seu primeiro cântico aos 44 anos.

Infecçăo nos olhos - Nascida em 24 de março de 1820 no município de Putnam, em Nova Iorque, Fanny tinha pouco mais de um mês de vida quando sofreu uma infecçăo nos olhos. O clínico geral estava fora da cidade e um outro médico fora chamado para tratar do caso. Receitou cataplasmas de mostarda quente e o efeito foi desastroso: a menina ficaria cega pelo resto da vida. O "médico" teve de fugir da cidade, tamanha a revolta suscitada entre os parentes e vizinhos do bebê.
Aos cinco anos, foi levada pela măe para consultar o melhor especialista no país, o Dr. Valentine Mott. Uma coleta feita entre os vizinhos pagou a viagem. O pai de Fanny já havia morrido e a situaçăo financeira da família era muito difícil. O sacrifício, infelizmente, foi em văo, já que o médico decretou o caso como incurável.
A menina teve entăo de acostumar-se as dificuldades, ao mesmo tempo em que demonstrava uma habilidade incomum para compor poesias.
Naquela época, a mensagem do Evangelho foi plantada no coraçăo da jovem Fanny, por intermédio de sua avó. Era ela quem passava horas lendo Bíblia para a menina, que demonstrava ter uma memória extraordinária: decorou diversos trechos do Livro de Rute e dos Salmos. Aos 15 anos, ela entrou para o Instituto de Cegos de Nova Iorque, para onde voltaria anos depois para ensinar Inglês e História. Como aluna e professora, Fanny passou 35 anos na mesma escola.

AAAAA 

Testemunho do fé - Em 1844, escreveu seu primeiro livro de poemas - A menina cega e outros poemas. Uma de suas primeiras participaçơes como compositora aconteceu em um dos cultos de Dwight L. Moody, um dos maiores pregadores da história do Evangelho, que realizava uma conferência na cidade de Northfield, no estado de Massachussetts. Impressionado com o talento de Fanny, Moody pediu que ela contasse o testemunho pessoal de sua fé e de seu relacionamento com Deus. Assustada, Fanny a princípio relutou, mas depois leu a letra de um hino que acabara de escrever: Eu o chamo de meu poema da alma. Ás vezes, quando eu estou preocupada, eu repito isto para mim mesma, e essas palavras trazem conforto ao meu coraçăo, disse ela, antes de recitá-lo. O hino, é verdade, năo é citado em sua biografia, mas isso, de fato, pouco importa, já que poderia ser qualquer um daquelas centenas de cânticos que embalaram o avivamento americano no século 19, período que ficou conhecido como O Grande Despertamento. Naquela ocasiăo, os momentos de apelo à conversăo eram frequentemente inspirados por palavras como as do hino Mais perto da Tua cruz, composto por Fanny Crosby, em 1 868: Meu Senhor sou Teu / Tua voz ouvi, a chamar-me com amor [...] mais perto da Tua cruz leva-me, ó Senhor. Fanny era membro da Igreja Episcopal Metodista, de Nova Iorque. Ela era uma oradora devota e frequentemente preparava os cultos infantis da igreja.

Casamento - Em 1858, Fanny casou-se com o professor de música e cantor de concerto Alexander Van Alstyne. Nessa época, ela havia deixado o ensino para acompanhá-lo tocando piano e harpa em apresentaçơes públicas. Compôs diversas cançơes populares nesse período. Na mesma ocasiăo, a vida trouxe-lhe urna das maiores afliçơes que uma pessoa pode enfrentar: a perda de um filho. A criança, seu único filho, morrera ainda pequena.
Em 1864, por influência do famoso evangelista, escritor e compositor William Bradbury, que tem dezenas de cançơes registradas nos hinários e cantores cristăos até hoje, Fanny passou a escrever exclusivamente musicas sacras. Apaixonada por crianças e motivada pela perda irreparável de seu filho, a compositora criou um estilo próprio: Achei que as crianças também tinham de entender as letras e as melodias teriam de ser simples também. Ela esforçou-se para retratar os temas do céu e o retorno de Cristo com palavras simples.

Ímpeto criativo - O número extraordinário de composiçơes da autora pode ser explicado năo só pelo ímpeto criativo de Fanny, mas também pelo fato de ela ter um contrato de trabalho com uma editora, a Biglow & Co., que a obrigava a entregar três composiçơes novas a cada semana. Ela chegou a compor sete cançơes em apenas um dia. Como de hábito, năo iniciava seu trabalho sem antes dedicar horas à oraçăo.
Curiosamente, Fanny năo escrevia as letras de seus hinos, por nunca ter dominado o método Braille. Dona de uma memória extraordinária, memorizava-as facilmente. Quando morreu, aos 94 anos, amigos e parentes escreveram na lápide de sua sepultura: Ela fez o máximo que pôde. Sem dúvida, foi uma heroina da fé.

Fonte: Revista Graça, ano 2, n.º 25 – Agosto/2001 (Texto de Marcelo Dutra)