sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A dança das bailarinas cegas

Com método próprio e sensibilidade, professora de balé já ensinou mais de 300 deficientes visuais
 
imagem:cia fernanda bianchini de ballet de cegos/divulgação
Dos primeiros passos à sapatilha de ponta: as alunas aprendem as posições tocando pernas e braços das professoras
Quando começou a ensinar balé clássico a adolescentes cegas, a professora de dança Fernanda Bianchini ouviu de muitos colegas que seria impossível transformar as moças em bailarinas, pois era preciso que o aluno enxergasse os movimentos para poder imitá-los. O início foi de fato desanimador. Tentava ensinar posições e passos ajustando braços e pernas das meninas – as sequências eram reproduzidas, mas logo se afrouxavam. A turma começou a progredir quando as próprias alunas sugeriram um método de aprendizado que se revelou muito mais eficiente: pediram para tocar o corpo de Fernanda enquanto ela fazia cada movimento. Se não tinham o sentido da visão, as garotas podiam contar com o tato. Imitavam, a partir das impressões captadas pelos dedos, a disposição dos músculos da professora ao realizar abertura de pernas, ao executar dobraduras ou ao ficar na ponta dos pés. Era 1995, e ela tinha apenas 16 anos.


Nos últimos 16 anos, mais de 300 crianças e adolescentes com deficiência visual passaram pela Associação de Balé e Artes, no bairro Vila Mariana, em São Paulo, onde Fernanda, hoje com 32 anos, leciona. O Balé de Cegos, como é conhecida a companhia, já inspirou escolas de dança no país e no exterior. Formada em fisioterapia e em dança, a bailarina abusou da criatividade. Para tornar os movimentos das meninas mais fluidos, por exemplo, amarrou folhas de palmeira nos braços delas e orientou-as a não deixar as asas imaginárias desgrudar de seus membros. Aos poucos, evoluíram dos posicionamentos estáticos para rodopios e piruetas.


A companhia mantém-se com doações e com o investimento de patrocinadores. As bailarinas já fizeram apresentações em várias regiões do país, pelas quais receberam cachê. “O balé não aprimora somente a postura, o equilíbrio, a noção espacial e corporal – o principal trabalho é sobre a autoestima do deficiente visual”, observa Fernanda. As aulas de balé, sapateado e dança de salão são gratuitas, ministradas na Associação de Balé e Artes, na rua Humberto I, 298, Vila Mariana, em São Paulo. Informações: (11) 5575-9898 ou no site www.ciafernandabianchini.org.br/
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Seminário discute ensino para estudantes com deficiência visual


Nos dias 21 e 22 de setembro, acontece no teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte, em Feira de Santana, o IV Seminário Feirense sobre a Educação e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência Visual. Realizado pelo Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual, ligado à Secretaria da Educação do Estado da Bahia, o evento vai discutir alternativas para assegurar que os estudantes com deficiência visual possam ter suas especificidades atendidas e seus direitos respeitados no processo educacional e social.
Entre os temas programados para debate pelo centro, que trabalha especialmente com a formação continuada de professores, estão: ações e desafios da educação especial na perspectiva da educação inclusiva, a empregabilidade das pessoas com deficiência visual: desafios e conquistas, a participação das mães na inclusão das crianças com deficiência visual e a convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência. O evento está dividido em palestras, mesas-redondas, debates e apresentações culturais.
“Os temas são voltados para a inclusão das pessoas com deficiência visual, tanto nas escolas como nas famílias. É preciso consolidar esta discussão com a participação de professores, familiares e da comunidade de uma forma geral para que as pessoas com esta deficiência possam se sentir incluídas nos diversos espaços”, diz João Prazeres, coordenador de Educação Especial da Secretaria da Educação do Estado.
As inscrições são gratuitas e as vagas são limitadas. Os interessados devem realizar a inscrição no Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual, da Fundação Jonathas Telles de Carvalho, na Av. Eduardo Fróes da Mota, no bairro de Santa Mônica. As inscrições também podem ser realizadas pelo e-mail cadvfeira@gmail.com, sujeito a confirmação da vaga. Outras informações também podem ser encontradas no site www.capdvfsa.blogspot.com ou no telefone (75) 3625-7755.

Fonte: http://www.educacao.estudantes.ba.gov.br/node/2716