sexta-feira, 26 de março de 2010

Outros olhos ( Parte 5)

 

Deixo o agora para trás.

Olho só para depois.

Encontro um farol.

Sofro uma alucinação?

Tanto faz.

Faço uma poesia, então, e imagino um país.

Vejo a gente feliz num dia de sol.

Tem hora que o melhor que se pode fazer é ver as coisas com outros olhos.

(trecho final de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)

Outros Olhos ( Parte 4)

Quem manda nos olhos de dentro?
Será um Deus?
Um louco?
Um desenhista?
Um escritor?
Um diretor de cinema?
Será o desejo da gente?
olho
Há quem diga que é o inconsciente.
Há quem pense que é o por acaso.
Eu não sei o que pensar.
Mando meus olhos de dentro pensarem sozinhos e lá se vão eles inventando caminhos…

(trecho de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)

Outros olhos ( Parte 3)

 

…Aquilo que não existe, ou não é visível, ou ainda não foi descoberto, o que já foi embora, tudo o que está no brejo, o que está sempre no escuro, soterrado, escondido, após, por trás, o microscópico, a conjectura, o que foi arrancado, o que não foi aberto.

iu

Brincar com os olhos de dentro pode ser engraçado.

É só imaginar o que quiser, por mais maluco que seja, e podem acontecer laranjas azuis – sóis sem luz – duas luas no céu – uma tartaruga veloz – uma fuga, um refúgio, um lugar – outro valor para "Pi" – paz aqui no planeta – cometas, estrelas cadentes, beijos noturnos, mil e uma viagens – paisagens à vontade do freguês – um Saturno sem anéis, uma ilha encantada, uma cidade tranqüila, uma casinha na floresta – festas de chuva no sertão – um patrão mão-aberta (ou qualquer outra pessoa inventada)…

(trecho de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)