sexta-feira, 26 de março de 2010

Outros olhos ( Parte 3)

 

…Aquilo que não existe, ou não é visível, ou ainda não foi descoberto, o que já foi embora, tudo o que está no brejo, o que está sempre no escuro, soterrado, escondido, após, por trás, o microscópico, a conjectura, o que foi arrancado, o que não foi aberto.

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Brincar com os olhos de dentro pode ser engraçado.

É só imaginar o que quiser, por mais maluco que seja, e podem acontecer laranjas azuis – sóis sem luz – duas luas no céu – uma tartaruga veloz – uma fuga, um refúgio, um lugar – outro valor para "Pi" – paz aqui no planeta – cometas, estrelas cadentes, beijos noturnos, mil e uma viagens – paisagens à vontade do freguês – um Saturno sem anéis, uma ilha encantada, uma cidade tranqüila, uma casinha na floresta – festas de chuva no sertão – um patrão mão-aberta (ou qualquer outra pessoa inventada)…

(trecho de "Outros olhos", de Adriana Falcão, no livro "O doido da garrafa", 2003)

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